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Controle.

Você já prendeu a respiração por algum tempo ao mergulhar? Você já puxou o ar profundamente e segurou embaixo da água por alguns segundos que parecem não terminar nunca? Quando fazemos isso estamos, de alguma forma, controlando a entrada e saída de ar em nosso organismo. Porém, para nossa sobrevivência é fundamental que esse processo (respirar) aconteça de forma autônoma! Nós precisamos não ter controle para sobreviver.

Você é a pessoa que costuma tentar controlar tudo o que acontece ao seu redor? Você convive com alguém que se comporta dessa forma? (As duas alternativas?).

O controle, de forma generalizada, é um problema para a vida. Isso acontece porque quando vivemos tentando controlar tudo que acontece passamos a guiar nossas escolhas para tentar evitar que algo ocorra, para tentar evitar que nossas experiências produzam sensações e emoções que não desejamos experimentar. Porém, quando assumimos esse modo “controlador” e o estabelecemos em todas as nossas experiências, relações e contextos de vida, isso nos atrapalha na busca para viver o que queremos viver, de fato, viver.

Há diferença entre viver o que nos aproxima do que é importante para nós, e passar a vida tentando evitar o que não pode ser controlado. Quanto mais próximos estamos de um funcionamento, mais distantes estaremos do outro…

Isso se torna um problema, quando temos a ideia (talvez fantasia) de que podemos controlar tudo o que acontece, ou pensamos que devemos controlar o ambiente para garantir certo desempenho ou resultado. Se usarmos como metáfora o controle remoto da televisão, podemos pensar que sempre decidimos o que vamos assistir. Porém, nós nunca controlamos a programação da televisão! O que fazemos então?

Nós apenas escolhemos se vamos ou não assistir o que está passando diante do que é transmitido ali. A forma como lidamos com o que acontece está ao nosso alcance, “controle”, decisão… Mas nós nunca conseguiremos controlar tudo que acontece em nossa vida. Assim como não controlamos o que passa na televisão, mas decidimos se vamos ou não assistir.

Nossa tentativa por controlar o mundo (e a vida de algumas pessoas…) não é sem sentido. Nós vivenciamos processos importantes que acontecem nessa dinâmica. Uma questão relevante é entender a serviço de que está essa tentativa de controle.

Pessoas que emitem esse tipo de comportamento podem ter muitas intenções “boas”, e tentam alcançar essas boas intenções de formas inadequadas ou inconvenientes, que acabam prejudicando as relações pessoais, de trabalho, amorosas e familiares. É comum que passe a ser aversivo conviver com pessoas que estão constantemente tentando controlar o ambiente, pois isso gera em nós respostas emocionais significativas e desagradáveis.

Pode haver também outras funções na tentativa de controle… questões ligadas ao pensamento de que apenas “a pessoa sabe” como fazer as coisas da maneira correta, e se não for de tal jeito dará ou estará errado, ou se algo não for feito como ela quer não ficará bem feito.

Pode haver uma tentativa de proteger as pessoas que são importantes para ela, e aí o controle tem uma função de tentar garantir que as pessoas não irão sofrer ou correr riscos…

Pode ter uma função de tentar garantir a relevância ou afeto na vida das pessoas: e tem aí um pensamento de que ela “precisa ser necessária” na vida das pessoas, decidindo e controlando o que acontece, e assim essa “necessidade” garante um “posto”, um lugar na vida dos outros (o que pode não ser funcional e muitas vezes estabelece processos e condições não saudáveis para a relação)…

Enfim…

O que se pode fazer? Não penso que haja um “como”, mas há alguns pontos importantes aí.
Compreender a função desse comportamento na relação de vocês pode ser um norte para como lidar com o que acontece.

Dificilmente a pessoa que tenta controlar a vida vai desistir disso rapidamente ou “nunca mais vai tentar controlar”, mas entre ela tentar manter esse funcionamento e a forma como você irá lidar com essa tentativa há uma diferença importante.

É preciso deixar os limites muito nítidos nesse sentido, e é importante dizer que quando eles começam a ser estabelecidos de forma mais concreta há uma grande probabilidade de surgirem conflitos importantes.

Penso ainda que é fundamental ter os valores de vida presentes na condução da relação com essa pessoa. Talvez essa pergunta te ajude a lidar com isso… “como a pessoa que eu quero ser lida com essa situação? Como ela dá limites de forma respeitosa consigo, sendo afetiva e gentil?”.

Talvez aí se crie um caminho para lidar com esses processos de formas diferentes. Não é algo simples.

Fica a dica de que a terapia pode auxiliar muito nesse sentido!

Talvez o que nomino com os clientes de modo de vida Zeca Pagodinho – “deixa a vida me levar” – seja uma abordagem alternativa a esse funcionamento. Não implica em não fazer escolhas e viver aleatoriamente. Fala mais de notar o quanto a tentativa de controlar tudo aumenta o sofrimento, e da importância de termos leveza na forma como vivemos e nos relacionamos. Se não aceitarmos que, apesar do nosso esforço em controlar a respiração, o ar acabará em algum momento, correremos o risco de sufocamento, seja nosso ou daqueles que vivem conosco.

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Com carinho, Jonas Filho.

Aproveita pra ler os textos das minhas parceiras de blog: Amanda, Dallen e Sara.

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