Pequena Epifania

Ouvi que Proust, ao comer uma madeleine certa vez, fora subitamente invadido por lembranças e memórias vívidas de sua infância e que o ocorrido lhe causara tamanha transformação a ponto de chamar-lhe epifania.

Na hora lembrei de um fato. Era uma caminhada matinal na praia, no mesmo ano em que adentrei no universo da consultoria de estilo. Uma manhã perfeita de sol e mar, com muitas, muitas pessoas caminhando na areia, assim como meu marido e eu fazíamos.

O que poderia ser mais normal do que isso?

Mas ela – a epifania – tem o poder de aparecer sem aviso e transformar o banal em algo fascinante, estupendo, súbito. Ninguém a pode prever ou domar.

Nós andávamos silentes em direção à casa, já tínhamos passado a plataforma, quando as pessoas que caminhavam na direção contrária à nossa – portanto, de frente – passaram a ter grande importância no meu campo de visão. Eu não chegava a torcer o pescoço para seguir olhando-as, não precisava. A orla estava cheia e eu tinha material suficiente para observar.

Imagem: Garopaba by Amanda Baronio

E o que eu observava? Biotipos!

Via quadris largos, via bustos pequenos. Via barrigas salientes, via marcas de cirurgia. Via estrias e celulites, via ombros mais estreitos que o quadril, via quadris mais estreitos que os ombros. Via saúde plena com o frescobol, via o mancar causado por uma perna curta. Via rostos tipo de revista, acompanhado de corpos que pareciam ter sido a capa. Via rostos com as rugas marcando o tempo… teriam valido a pena? Via altos e baixos, gordos e magros, sorrisos amplos e caras fechadas. Todos tão diferentes, nenhum igual, nenhum sequer! E ainda assim, todos em traje de banho, todos à mostra, todos livres, todos iguais, todos irmãos…

De súbito, uma onda crescente de compaixão foi tomando conta do meu peito, inflou e escorreu discretamente pelos meus olhos. Tentei explicar pro meu marido enquanto caminhávamos e saiu mais ou menos isso: “olha, cada pessoa é única mesmo, não faz sentido a gente se comparar, a beleza está em todas as formas porque cada uma é singular e tem uma história própria!”

Ele conseguiu balbuciar: “mmm… continue…” O que pensou, não disse, mas eu apostaria em: “será que enlouqueceu de vez?”

Dizem que uma epifania sempre transforma. Mas ela só funciona pra quem a tem. Não faz o menor sentido pro outro. Eu sei que a partir daquele momento, meu trabalho com a imagem ficou mais humano. Um pouco antes eu escrevi “compaixão”, mas na realidade queria ter escrito “amor”, só que achei piegas. Mas foi amor. Algo tipo: “vai ficar tudo bem, você é linda/lindo assim, acredite.”

Eu não tenho como provar, mas sigo acreditando naquele dia, na minha singular revelação, procurando viver com aquela leveza, encontrando nisso um sentido a mais para o meu trabalho.

Foto de Dallen Fragoso

Dallen Fragoso

Em exercício constante de lembrar dessa pequena epifania para baixar a régua do julgamento... a começar em mim mesma.

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Visagismo não é um método,
mas uma forma de pensar.

Não é sobre verificar medidas de rosto e determinar, a partir daí, qual tipo de óculos ou cabelo se deve usar.
Não trabalhamos assim nesse guichê ;)

Então, com o quê você trabalha?

Trabalho com percepções: de você sobre você mesmo, dos outros em relação a você, de como você quer se sentir e se projetar daqui pra frente. Com a leitura visagista, conseguimos compreender melhor onde estão seus pontos fortes e aqueles que não precisam de tanto destaque. E através da linguagem visual, conseguimos externalizar na sua imagem todos esses pontos. 

Linguagem visual… quê isso?

Basicamente, é a forma de comunicação que enxergamos. Aqui, me apoio nos 05 elementos principais de design para dar vida ao que você quer comunicar: cor, linha, forma, volumes e texturas. 

Mas eu não sei o que eu quero comunicar!

Calma… Na leitura visagista – a primeiríssima parte do nosso processo – a gente já consegue mapear isso. Os traços do rosto e elementos sensoriais (olhos, boca, nariz, testa, dentição, etc), vão nos falar da essência, aquilo que não muda. A vida que você leva hoje (profissional, pessoal), além das dimensões corporais, comportamento não verbal, etc, vão falar das suas aspirações. Juntando ambos, deixamos mais claro o seu desejo de imagem, aquilo que você quer/pode comunicar nesse recorte da sua vida. 

E como é a entrega disso?

Em 03 encontros.

1º – Você fala, eu ouço (e anoto!): Tem tema de casa e solicitação de fotos nesse momento.

2º – Devolutiva I: apresento a parte que identifica seus traços faciais, temperamento e possíveis ruídos de imagem

3º – Devolutiva II: apresento as propostas e estratégia para alcançarmos seu objetivo

Observações:

É possível fazer todos os encontros 100% online. 

No espaço entre o 1º e o 2º encontro eu elaboro o dossiê e vamos nos falando nesse ínterim, caso eu precise de mais informações. 

Toda a apresentação traz imagens de referência para você ter mais claro os próximos passos. 

Quais são os próximos passos?

Colocar em prática o que você aprendeu e assimilou. Você vai fazer por si mesma/o, entretanto, conte comigo para:

Conversar com os profissionais que executarão as mudanças necessárias. Ex.: cabeleireiros, dermatologistas, esteticistas, etc.

Orientar suas compras por fotos (você me envia e conversamos), tendo sempre por parâmetro o seu dossiê. 

Mais perguntas

Essa é a sua consultoria completa agora?

Sim. À medida que fui estudando e me aprofundando no tema Imagem e Estilo, entendi que essa parte – que começa invariavelmente pelo rosto – é ainda muito negligenciada no mercado e também a que mais faz meu olho brilhar. Também entendi que quem compreende mais sobre si mesmo – informações que o Visagismo entrega – traduz melhor  na indumentária aquilo que quer comunicar. Testado e aprovado! 

Não. Já fiz muito, curti pra caramba, mas precisei escolher. Então, na forma como eu trabalho hoje, ensino você a comprar o que tem a ver consigo sob vários aspectos, você vai lá e faz. 

Não. Eu ensino a/o cliente a compreender seu estilo e a imagem que quer passar. A partir daí, olhar para o guarda-roupas com outros olhos e iniciar uma mudança é consequência. 

Quer a verdade? Nunca. Isso porque o processo de refletir sobre si mesma/o e buscar entender quais cores, corte de cabelo, formato de óculos, modelagem de roupas, etc, combina com o seu momento é (deveria ser) uma constante. Concorda? Mas sim, esse nosso processo juntas/os acaba depois do 3o encontro. Entretanto, podemos seguir aprendendo juntas/os nos outros processos que faço ou conteúdos que produzo nessa internet de meo deos…