Você já viveu o suficiente para saber que a empolgação do ano novo acaba depois do brinde. Que o procedimento estético aquele que você tanto queria passa despercebido em poucos dias. Que a êxtase ao abrir a caixa com sua encomenda dura apenas algumas horas. Que a alegria da roupa nova e todo o seu cheirinho de loja não sustentam sua autoestima.
Enfim… Que o desejo só é desejo enquanto ele for desejo. No momento que a gente o tem, deixa de ser desejo e passa a ser coisa concebida, numa conta que nunca fecha.
Já ouviu falar no livro The Blue Zones? Há uma série da Netflix também, com o mesmo nome: (tradução livre: Zona Azul). O escritor é da National Geographic, viajou o mundo pra identificar o que trazia felicidade, e achou vários denominadores que se repetiam… claro que carro do ano e pulseira de ouro não estavam nessa lista.
Então o quê estava? Aquelas que muitas vezes são até difíceis de medir. As coisas materiais ou mesmo as que almejamos como conquista fazem contraponto com essas, por exemplo, A felicidade do amor correspondido, a cumplicidade de um sorriso, o bem doado sem esperar nada em troca…
Resta-nos trazer consciência pra essa gangorra da vida, saber que a surpresa, o novo, o desconhecido, podem ser bem excitantes, mas têm dia e hora pra acabar – e talvez só por isso sejam tão incríveis.
Outro dia postei que a obviedade também é linda. Nem vou dizer que Sócrates já filosofou muito sobre isso pra você não achar que ando lendo esses caras…

Mas, Spinoza, que veio depois, concluiu que o remédio seria seguir desejando sem deixar de apreciar (amar mesmo) aquilo que já se tem. Parece super possível, hein?
Deixemos o grego e o holandês de lado por um pouco de tempo agora para refletir: você deseja um parceiro/a de vida? Um cargo novo no trabalho? Ter filhos? Abrir seu próprio negócio? A tão sonhada aposentadoria? Deseje. Conquiste.
Mas siga amando sua conquista sem deixar de sonhar com outras. Parece óbvio, né? Parece. Mas é fácil a gente se perder só no desejo e esquecer dessa segunda e fundamental parte.
Aposto que você tem um “causo” que você muito desejou e quando obteve, meio que perdeu a graça… well, bem-vinda/o ao time. Não quero finalizar com a sensação de “ame a sua mesmice”. Para uma cabecinha que se considera “inventadeira” como a minha, a tal zona de conforto, a mesmice e a rotina, são regiões um tanto claustrofóbicas. Apenas sintetizo o que os caras já disseram:
“Siga desejando e ame o que você já tem.”
E acrescentaria, agora nas minhas palavras: a supresa não se sustenta e a obviedade é linda também.
Para o alto e avante,
Dallen.


Respostas de 2
Fantástico texto… fez todo sentido para mim ❤️
Me identifico muito com a descrição sobre Deus que o Spinoza faz… estou amando tua página.
Sucesso querida!!!
Obrigada Lu! Você, eu e Einstein nos identificamos, então, né? (entendedores entenderão!) 😉