Ia começar esse texto dizendo que minhas viagens solo começaram em 2016, quando fiz a primeira viagem internacional totalmente sozinha, mas voltando um pouquinho nos meus arquivos mentais, vejo que comecei a fazer isso muito mais cedo.
Desde criança gosto da sensação de liberdade que pegar a estrada sozinha proporciona. O momento mais esperado do ano era o Natal na casa da bisa, pois sabia que uma semana antes pegaria um ônibus sozinha para a casa dela. Não lembro de me sentir insegura ou com medo em algum momento, apenas uma ansiedade boa e ficaria ofendidíssima se algum adulto se oferecesse pra ir comigo. kkkkkkkk

eu com 10 anos
O ano era 2015, eu tinha 19 aninhos na cara e comprei aquela passagem para Nova York, para alguns dias depois do meu aniversário de 20. As reações mais recorrentes (além da animação): “Tu é doida.” ou “queria ter essa coragem”. Mas não se engane, eu não fiz as coisas na loucura, foi tudo muito bem pensado e planejado e essa acredito ser uma das partes essenciais pra acomodar o medo e a insegurança de viajar sozinha: planejamento. Ah, e isso não quer dizer que as vezes as coisas não sairão do controle ou que cagadas não vão acontecer. Pode acontecer e precisamos estar abertas aos aprendizados.

se programe, se proteja, pesquise e peça ajuda se necessário!
No ano seguinte veio a segunda viagem, dessa vez para a Europa e eu já estava muito mais afiada para montar meu roteiro, fosse na escolha dos passeios que eu iria fazer até onde eu iria gastar meu dinheirinho. Se antes eu seguia a risca o que diziam os blogs de viagem com roteiros prontos, hoje sem pestanejar eu decido não ir em um museu que não me interessa pra ir em um brechó.

eu felizona tirando uma selfie com a Torre (comprei um pau de selfie pra me auxiliar nas fotos e não precisar pedir pra alguém tirar pra mim toda vez kkkk)
Bem na metade dessa viagem, passei por uma situação em que tive um prejuízo enorme. Roubaram todo meu equipamento de fotografia. Isso me desanimou demais, mas eu não tinha a opção de pegar meus mijados e voltar, então me restou aceitar a situação e seguir a viagem me afogando em comidas gostosas e aconchegantes.

eu em Amsterdam pós trauma do furto e passeios pelos coffeeshops 🤣
Esse acontecimento não me tirou a coragem e vontade de fazer meus rolês sozinha, mas me trouxe aprendizados sobre organização e planejamento que mudariam a minha vida pra muito além de viagens. Em outro texto podemos falar mais sobre isso.
Além dos comentários que recebia, reparei que conhecia pouquíssimas mulheres que viajavam ou já o haviam feito sozinhas por prazer. Nós mulheres recebemos uma carga muito grande de julgamentos que nos tornam inseguras. As prioridades que nos ensinam não são focadas em nos beneficiar financeiramente ou em nossa independência. Gostar de viajar sozinha não é para ser uma obrigação, mas pode ser uma experiência muito interessante de autoconhecimento e até de libertação.
Nos meus processos entendi que fiz o caminho inverso. Eu viajei sozinha e só depois eu passei a entender tudo o que isso representa. Passei a entender também que nem todo mundo vai curtir viajar só e tudo certo, desde que isso realmente seja um traço da sua personalidade e não aquela construção social soprando no seu ouvidinho que você não dá conta. Lembre-se que a coragem muitas vezes vem da ação e não o contrário. <3

Sei que fazer uma viagem, principalmente sozinha, não é algo simples, envolve muitos fatores e está fora da possibilidade de muita gente, por isso enfatizo que falo de um lugar de muitos privilégios e também não quero causar a sensação de que se você não passar por essa experiência, não conseguirá aprender sobre você ou se libertar de padrões impostos.
Acredito que mulheres viajando sozinhas, curtindo sua própria companhia, abrindo seus negócios, estudando na busca de um cargo melhor e saindo de relacionamentos cagados são só alguns exemplos de passos dados na direção de sua independência, seja no âmbito pessoal, emocional, financeiro e/ou profissional e isso pode ser revolucionário.

O que você acha? Comenta aqui pra gente ler e trocar ideias! Ah, e se quiser falar sobre tua experiência também, vou adorar ler.
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