Entre referências e a minha verdade

Imagine comigo: 4a série, casaco de brechó, saia príncipe de Gales vintage, presente da avó do meu melhor amigo — que guardo até hoje —, meias brancas “colegial” e All Star. Fui a menina que nunca usava uniforme, passava boa parte do tempo na secretaria por me recusar a usar o mesmo que todos. Aliás, desde pequena, com meus doze anos, já era consumidora de brechós.  

Hoje, percebo que meu estilo é mais contido. O consumo de conteúdo e a rotina exaustiva acabaram abafando parte do meu senso criativo.

Fico refletindo sobre o quanto a criatividade nas pessoas está sendo sufocada pela quantidade de informações que recebemos diariamente.

Em mim, isso cria uma dualidade. De um lado, sei exatamente o que as grandes influenciadoras estão usando, as tendências, a moda em massa e até a alta-costura das passarelas.

Sei que a informação amplia nossa visão, mas também nos empurra a repetir padrões. Muitas vezes me sinto presa em uma caixa. Sinto que democratizamos a moda ao custo da autenticidade.
Imagens: acervo pessoal Renata Vaz

As redes sociais são uma repetição, os sites de referência, os feeds, tudo parece igual, e eu me incluo nisso e admito, é difícil encontrar a originalidade quando buscamos, ao mesmo tempo, aceitação.

Concordo que nada se cria sem a busca por referências, mas encontrá-la em coisas palpáveis da vida real, para mim, é a fonte mais rica de inspiração.

Aos trancos e barrancos, tenho conseguido resgatar elementos da simplicidade da minha família no campo, onde cresci, uma vibe country que eu amo, misturar com alfaiataria e acrescentando elementos mais darks da minha personalidade.

O estilo é uma forma de expressão, arte, cheio de bagagem. Criar não é difícil, criar é natural, as vezes só estamos em um ambiente que sufoca isso.

Acredito que o segredo é não deixar o mundo nos engolir.

Foto de Renata Vaz

Renata Vaz

Sou formada em Filosofia e tenho amor por fotografia & moda. Um dia, em meio a um café no @olivazemporio, da qual sou cofundadora, a Dallen me convidou para escrever e pediu: conta pra gente como é o seu processo criativo no vestir!

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Visagismo não é um método,
mas uma forma de pensar.

Não é sobre verificar medidas de rosto e determinar, a partir daí, qual tipo de óculos ou cabelo se deve usar.
Não trabalhamos assim nesse guichê ;)

Então, com o quê você trabalha?

Trabalho com percepções: de você sobre você mesmo, dos outros em relação a você, de como você quer se sentir e se projetar daqui pra frente. Com a leitura visagista, conseguimos compreender melhor onde estão seus pontos fortes e aqueles que não precisam de tanto destaque. E através da linguagem visual, conseguimos externalizar na sua imagem todos esses pontos. 

Linguagem visual… quê isso?

Basicamente, é a forma de comunicação que enxergamos. Aqui, me apoio nos 05 elementos principais de design para dar vida ao que você quer comunicar: cor, linha, forma, volumes e texturas. 

Mas eu não sei o que eu quero comunicar!

Calma… Na leitura visagista – a primeiríssima parte do nosso processo – a gente já consegue mapear isso. Os traços do rosto e elementos sensoriais (olhos, boca, nariz, testa, dentição, etc), vão nos falar da essência, aquilo que não muda. A vida que você leva hoje (profissional, pessoal), além das dimensões corporais, comportamento não verbal, etc, vão falar das suas aspirações. Juntando ambos, deixamos mais claro o seu desejo de imagem, aquilo que você quer/pode comunicar nesse recorte da sua vida. 

E como é a entrega disso?

Em 03 encontros.

1º – Você fala, eu ouço (e anoto!): Tem tema de casa e solicitação de fotos nesse momento.

2º – Devolutiva I: apresento a parte que identifica seus traços faciais, temperamento e possíveis ruídos de imagem

3º – Devolutiva II: apresento as propostas e estratégia para alcançarmos seu objetivo

Observações:

É possível fazer todos os encontros 100% online. 

No espaço entre o 1º e o 2º encontro eu elaboro o dossiê e vamos nos falando nesse ínterim, caso eu precise de mais informações. 

Toda a apresentação traz imagens de referência para você ter mais claro os próximos passos. 

Quais são os próximos passos?

Colocar em prática o que você aprendeu e assimilou. Você vai fazer por si mesma/o, entretanto, conte comigo para:

Conversar com os profissionais que executarão as mudanças necessárias. Ex.: cabeleireiros, dermatologistas, esteticistas, etc.

Orientar suas compras por fotos (você me envia e conversamos), tendo sempre por parâmetro o seu dossiê. 

Mais perguntas

Essa é a sua consultoria completa agora?

Sim. À medida que fui estudando e me aprofundando no tema Imagem e Estilo, entendi que essa parte – que começa invariavelmente pelo rosto – é ainda muito negligenciada no mercado e também a que mais faz meu olho brilhar. Também entendi que quem compreende mais sobre si mesmo – informações que o Visagismo entrega – traduz melhor  na indumentária aquilo que quer comunicar. Testado e aprovado! 

Não. Já fiz muito, curti pra caramba, mas precisei escolher. Então, na forma como eu trabalho hoje, ensino você a comprar o que tem a ver consigo sob vários aspectos, você vai lá e faz. 

Não. Eu ensino a/o cliente a compreender seu estilo e a imagem que quer passar. A partir daí, olhar para o guarda-roupas com outros olhos e iniciar uma mudança é consequência. 

Quer a verdade? Nunca. Isso porque o processo de refletir sobre si mesma/o e buscar entender quais cores, corte de cabelo, formato de óculos, modelagem de roupas, etc, combina com o seu momento é (deveria ser) uma constante. Concorda? Mas sim, esse nosso processo juntas/os acaba depois do 3o encontro. Entretanto, podemos seguir aprendendo juntas/os nos outros processos que faço ou conteúdos que produzo nessa internet de meo deos…