Você tem facilidade pra dizer não? E quando diz, sente necessidade de dar mil satisfações? Negar um pedido (e impor limites) sempre foi uma questão para mim (nível de tratar em terapia) e posso dizer que até hoje é, apenas tenho mais recursos e maturidade para lidar com isso.
Por ser algo que pega no meu calo, acabo sempre observando como as outras pessoas reagem nesse tipo de situação, tanto quem diz o não quanto quem o recebe. Nas redes sociais me deparo com muitos conteúdos do tipo “aprenda a dizer não sem ganhar um ataque de nervos” (alô, algoritmo), isso demonstra ser uma dificuldade comum. Claro, ninguém quer ser desagradável ou destruir os sonhos de alguém. Forcei né, mas é que eu falo de um lugar muito obscuro. kkkkkkk

Pra mim funciona mais ou menos assim: alguém vem me pedir, me convidar, me solicitar algo e se eu não posso atender isso (ou não quero), automaticamente surge um sinal piscante na minha mente dizendo “DÁ TEUS PULO, VAI TER QUE ABRAÇAR”. Como se eu sentisse que é minha obrigação. Meu coração acelera na hora. Aí entra a “mágica” (considere muitas aspas) da pessoa que se trata em terapia, ela racionaliza e entende que aquilo é um pensamento e que não necessariamente é verdade. Às vezes é depois de uma crise de ansiedade com direito à falta de ar e muitas lágrimas? As vezes é. Como se diz hoje em dia: e tá tudo bem.

Entendo que muitas vezes faz parte fazermos coisas que não necessariamente queremos mas precisamos ou também que alguns contextos pedem explicações e satisfações, mas você sabe identificar quando é aquela situação que você poderia simplesmente dizer: “Não vai rolar” sem acompanhar um, “desculpa, mas é que eu vou levar minha vó no jiu jitsu.” ?

A necessidade de ficar dando explicação muitas vezes diz mais sobre nós e nossa projeção no outro, do que sobre algo que o outro de fato espera da gente. Essa preocupação de que precisamos atender as expectativas nos sobrecarrega e é nossa responsabilidade colocar os limites que acreditamos serem importantes para nós.
Sinto que num primeiro momento, não dar satisfação traz uma sensação de algo faltando. Quando nos abrimos a essa possibilidade, além de acreditar que podemos encontrar uma certa paz nesse lugar, damos a chance para que a outra pessoa também nos diga não sem medo de ser feliz. Será que isso também não nos apavora um tanto? O quanto nos doamos aos outros na esperança (consciente ou inconsciente) de sempre recebermos algo em troca ou mesmo na busca por aceitação?

Trouxe meu relato aqui com pontos de vista bem pessoais, mas pode ser que você se identifique de alguma maneira também! Para nossa reflexão do mês, quero fazer essa provocação. Como tem sido sua relação com o não? É fácil proferir essa palavrinha tão pequena mas que pode ter um peso enorme? E recebê-la? Dizer não para os outros muitas vezes é dizer sim pra gente mesmo. Olhando por esse ângulo, quantos “sim” você tem dito para si mesmo?
Compartilhe com a gente seu relato ou frase de efeito sobre o poder do não (essa é pra eu anotar no meu carderninho rs), ou mesmo se isso nunca foi uma questão pra ti, também queremos ler. <3

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