Missão: encontrar a camisa perfeita para presentear meu marido.
Estratégia: ir na loja X do Iguatemi e depois emendar um jantarzinho no restaurante Y.
Fazia quase 02 anos que a gente não emendava esse tipo de programa juntos, então, estava empolgada. Alô pandemia, nossos hábitos mudaram bastante, não é? Volta e meia eu me pego pensando na dureza que foi para os lojistas manter seus negócios nesse período. Falo do lugar de quem já teve um comércio de roupas, uma loja de rua. Se as pessoas param de passar, param de entrar, param de consumir e a roda não gira. Outras soluções precisam ser encontradas. Elas existem, mas que é dureza, é.
Missão e estratégia estabelecidas, máscara, álcool gel, distanciamento, vitrines com a inscrição SALE, restaurante reservado. Tudo certo. Tudo lindo, que delícia de programa!
Chegamos à porta da loja X e meu marido comentou: tem certeza? Querido ele, sabia que a loja era carinha, mas eu também sabia que tinha umas promoções em curso (as antenas ligadas!). Eu disse um siiiiiimmmm sorridente e entramos.
Protocolos de proteção ao COVID na entrada: check.Visual Merchandising impecável: check. Recepção amigável e acolhedora: …ops, não check!
Aqui começou a novela.
Assim que entramos, procurei com os olhos alguém que pudesse nos atender. Ossos do ofício, esse: buscar imediatamente contato visual com o atendente ao entrar na loja e explicar o que procuro. Não só para agilizar ou ganhar tempo, mas principalmente para estabelecer algum tipo de conexão e tornar a experiência prazerosa para ambos, afinal, já estive do outro lado do balcão e sei que uma experiência de vendas pode ser muito feliz, tanto para quem compra quanto para quem atende.

Considero que a gente deveria agradecer uma pessoa (mentalmente, quer seja) quando ela escolhe entrar na nossa loja .
Você agradece, sorri, pergunta de onde a pessoa é, oferece algo (café, água, chá?), conta a história da estampa, avisa que vai chegar peças novas, pede permissão para sugerir outras modelagens, faz um cadastro e não perde a oportunidade de dizer que vai avisá-la das novidades naquele estilo que ela procura. Se encontrar reciprocidade, descobre o que a pessoa faz da vida ou a ocasião que a levou a procurar determinada peça e – mágica! – consegue direcionar ainda melhor todo o atendimento.
A venda é mesmo uma coisa linda, uma conexão. Você resolve o problema de alguém que confiou em você pra isso. Satisfação para ambos. Sensação maravilhosa.
O quê disso aconteceu na loja X? Nada.
O moço atendente (que me pareceu apertado demais naquele terno) não sorriu nenhuma vez. NENHUMA. Consegue imaginar um atendimento sem sorriso? Também não olhou nos meus olhos, sempre acho isso tão estranho… sou um ser-humano, pow, quero conexão. Minto, olhou sim, no momento em que eu lhe disse baixinho, enquanto o marido estava no provador, que queria encontrar um casaco casual que não fosse preto ou cinza escuro como aqueles das araras. Só então ele me fitou para decretar: mas são esses que combinam com a camisa estampada que ele está provando.

Ditou regras, despertou gatilhos em mim. Tive ímpetos de explicar que ele deveria considerar o desejo de imagem do cliente ANTES de dizer o que pode e o que não pode, e que, no caso ali, o cliente buscava uma imagem de acessibilidade, casualidade e não-sisudez, portanto, estampa com estampa AND cor viriam bem a calhar, sim senhor!
Mas não o fiz. Entendi onde estaria me metendo. Lutei intimamente para que o sentimento de frustração não se estampasse na minha cara, afinal, tinha um marido feliz no provador já que a primeira camisa provada servira como uma luva.
Nem vou esmiuçar os tantos outros detalhes que fizeram dessa uma experiência ruim quando tinha tudo pra ser excelente. Mas preciso dizer que meu marido ficou tão desconfortável com a atitude blasé do vendedor que assim que saiu do provador foi me esperar lá fora enquanto eu efetuava o pagamento.
A essa altura, enquanto o robô-homem embalava a camisa para presente, fiquei pensando em algumas variáveis (geralmente incontroláveis) que poderiam estar fazendo daquele um dia mau pra ele.
Ele “fez questão” de me acompanhar até a porta (contém ironia) e balbuciou, ainda sem fazer contato visual: “obrigado, bom feriado, saúde”, me alcançando a sacola. Estranhei o “saúde”, quis achei simpático.
Fim.
Não digo que não voltarei mais lá (admiro a marca, afe), mas compartilho aqui pra gente pensar, no mínimo, 02 coisas:
- O quanto podemos/devemos valorizar quem escolhe essa profissão de vendedor/atendente em qualquer que seja a área. Porque quando estamos em momentos de lazer ou relax são eles que estão ali para que isso seja possível.
- Que a gente busque/desenvolva discernimento para compreender nosso dia mau, a fim de encontrar/treinar habilidades que nos tornem menos contagiosos para quem é obrigado a conviver com a gente ou cruzar nosso caminho. Afinal, a 1a impressão é a que fica.
Dallen Fragoso
Consutora de Imagem que ama somar no trabalho de desenvolvimentos de equipes. Espie o PARA EMPRESAS e vamos conversar.





