Minha vida virou de ponta cabeça nos últimos 5 meses. Tomei caminhos que definitivamente não planejava. Iniciei um esporte, passei a me dedicar a isso e competir. Terminei uma relação longa onde eu compartilhava uma vida, casa, cachorro e papagaio. Conheci pessoas, estou construindo novas relações. Aceitei dar uma oficina de fotografia na escola em que estudei. Criei projetos do zero que não trouxeram o retorno financeiro esperado. Fiz escolhas conscientes sem medo de deitar na BR de tanta culpa depois. Tenho mandado a Amanda Controladora tirar férias constantemente e para minha surpresa o (meu) mundo não está acabando.

bem tranquila a vida.
Certamente tudo isso é uma soma de muita terapia, medicação, maturidade e mudanças naturais que o tempo nos proporciona, mas quero falar de outra coisa nesse texto: em todas essas situações eu abracei a vulnerabilidade. Eu ativamente busquei conforto no desconforto de estar vulnerável.
No jiu-jitsu eu me deparei com a sensação de ser ignorante numa situação completamente nova onde a dinâmica ainda é desconhecida, com a frustração de não saber colocar em prática uma posição que eu tinha acabado de pedir pro professor repetir, de cometer o mesmo erro 3 vezes numa competição e isso me custar a vitória, mas também de meter a cara de competir com intenção pela primeira vez na vida e levar o ouro pra casa.
Assumi pra mim mesma e pro mundo meus desejos, demandas, a minha linguagem do amor e me propus a entrar em conflitos, terminar e iniciar relações buscando estar mais pertinho de quem eu realmente sou, sem performance. Ao mesmo tempo, acomodando as incongruências e dualidades de ser humano, sendo um pouco menos carrasca comigo mesma.
Como a gente bem sabe, eu não gosto de romantizar nada. Longe de mim fazer parecer que sofrer é gostosinho e que é fácil esse negócio aí que eu tô te contando .Tem muito incômodo também. Muito exercício de respiração envolvido. kkk
Lembra do lance de buscar conforto no desconforto? Ele, o desconforto, existe e muitão. É doloroso não ser correspondida, ser mal interpretada, não ser ouvida e validada. Se perceber errando, não impondo limites, sofrendo por um ego ferido. Sentir vergonha também. Assusta demais não ter certezas. Não saber incomoda: não saber como fazer, como lidar, como responder.
E como faz pra acomodar essa mistura de pensamentos e emoções? Eu adoraria te dizer que essa resposta tem só uma palavra e vende na farmácia, mas isso vai contra as minhas regras. O teu caminho tu vai precisar desenvolver e isso leva tempo, treino e tombos. Primeiro a gente larga o chicote. Se puder, se joga na terapia. No meu caso, precisei me jogar na medicação também. Se perceber, se questionar, jogar limpo consigo mesmo, não levar tudo o que pensa pra linha de frente. Se eu tivesse acreditado em tudo o que eu pensava, eu não tava aqui hoje.
Cair de cara no chão sempre dói, é uma consequência de se estar na arena. O lance é: o que essa parada proporciona de positivo é tão absurda que me faz sentir mais viva do que nunca. Me trouxe toneladas de amor. Me fez sentir fiel a mim mesma, no caminho. Eu pago esse preço com gosto demais.
Se tu não está familiarizado com o termo arena, existe um discurso do Theodore Roosevelt que conheci através das minhas amigas Nina Delecolle e Brené Brown que complementa bem o que eu tô te contando aqui.
“Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor.
O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente. que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente.”
Estar na arena é uma mistura de medo e tesão. Nem sempre os caminhos vão estar claros e as vezes o tiro é no escuro, mas eu penso que a gente se debate demais, se leva a sério demais, se esforça pra caber em caixas, quer se proteger de tudo e no fim, acaba sofrendo igual, só que longe do lugar que nos preenche de verdade.
Nãopudedeixardemequestionarumacoisadepoisdeescreveressetexto:Seriaesseumrelatodeumaansiosaemremissão? 🤣

Vamos aguardar os próximos capítulos. Por enquanto sigo fazendo o meu rolê e jogando amor pro mundo. 🌹
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