Olá inconstância. É sempre mais fácil lidar com você quando não está por aqui. Será que em algum momento você não está por aqui? O engraçado (ou triste) é: só me dou conta de que é você quando estou travando guerras homéricas comigo mesma e com tudo aquilo que não seguiu conforme meu plano.

isso foi ontem.
Não vou mentir, as últimas semanas têm sido difíceis. Estou num daqueles momentos onde a vida me prova que não é linear. Quer dizer, a forma como eu me sinto não é linear. A vida tá ali, seguindo o baile dela e quem sou EU na fila do pão pra ela perder tempo querendo mostrar alguma coisa, né?!
Já tenho me observado há algum tempo nessas tentativas de sempre prever tudo, estar pronta pra tudo. Aí te pergunto: qual é o limite entre o saudável e o paranoico? O que difere a busca por estar preparada para as adversidades da vida com a tentativa megalomaníaca (e ilusória) de controlar absolutamente tudo?

Já te mando a real: a resposta eu não tenho. Chutaria que é quando começa a atrapalhar mais do que ajuda. Mas quem sabe identificar isso quando se está no olho do furacão? No último vídeo do The Blog Project falamos sobre isso. Só quem tá na arena sabe o quanto isso custa. Só quem tá na m*rda sabe o quanto tudo está confuso e cinza. E como alguém de fora ousa dizer que “é só” fazer isso ou aquilo?

o que eu vou fazer contigo se me vier com “é só tu tomar água com limão em jejum e rezar 12 Pai Nosso” (ou insira aqui outra solução milagrosa que as pessoas sempre tem pros nossos problemas)
Esse texto nasceu de um trecho que eu escrevi no ano passado, em alguma noite de insônia sendo sufocada por preocupações e ansiedade. Desde lá eu já queria colocar pra fora tudo aquilo que não descia: as cobranças por caber em caixinhas e outras cagações de regra que aos poucos matam nossa autenticidade e criatividade.
Achei que era propício puxar esse amontoado de palavras do meu bloco de notas e trabalhar em cima disso já que estamos entrando em setembro, o mês de prevenção ao suicídio e no qual falamos e reforçamos mais ainda a importância de buscar ajuda profissional para cuidar da saúde mental.
Nesse meu desabafo eu escrevia: “Quem sofre menos finge melhor.” Pode soar um pouco exagerado, ainda mais me conhecendo e sabendo meu nível de revolta ao escrever esse tipo de coisa (rs), mas consigo tirar uma reflexão daí. Acho essencial nos darmos o benefício da dúvida em relação ao quanto estamos bem de fato.
A vida é feita de altos e baixos e eles fazem parte igualmente da nossa evolução, portanto não vamos desprezar os momentos onde as coisas saem do nosso “controle” ou ficam fora das nossas expectativas. A gente vai crescendo e aprendendo, mas sempre surgem desafios e situações que ainda não sabemos administrar. Cair, levantar, cair de novo, levantar mais uma vez…esse é o processo. E falar é fácil. Estar bem quando tudo vai bem é fácil. Mas se você está mal quando tudo vai bem, sugiro que vá ver isso aí.

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