
Pode parecer óbvio, mas talvez o homem que você ama não sabe que pode ser vulnerável. Talvez ele não tenha aprendido a sentir a vida de forma acolhedora e consciente, e isso traz muitas questões para as relações consigo, com os outros e com o mundo.
Esse cara (seu amigo, irmão, pai, padrasto, marido, filho, avô, primo, tio, colega de trabalho ou conhecido), possivelmente ouviu em algum momento da vida que deveria “ser forte, e não chorar, ser o homem da casa” ou algo do tipo.
Esse tipo de “sentença” pode facilmente se tornar uma condenação a ser paga ao longo da vida. E nisso, muitos julgamentos sobre si mesmo passam a ser parte da própria experiência, o que aumenta a sensação de que o contato com as emoções é algo nebuloso, arriscado e errado.
Você consegue pensar como é viver sem “poder” ficar triste? Sem “poder” expressar que está com medo? Como é viver “tendo” que esconder que está se sentindo insegura ou apavorada? Como seria aprender que a dor que você sente é um sinônimo de sua insuficiência, incapacidade e desvalia?
A emoção “permitida” aos homens (meninos), e que vai sendo internalizada como parte indissociável de ser “homem”, é a raiva. Esses modelos de masculinidade afirmam desde muito cedo que não se pode levar desaforo para casa! Não se pode tolerar qualquer ofensa, sem responder de forma mais agressiva e assim, resolver a questão. É como se a masculinidade, a “macheza” trouxesse uma condição inerente: ter de lidar com tudo sozinho, sem mostrar qualquer fragilidade ou sofrimento.
Esse texto não é uma justificativa para comportamentos considerados inadequados. A violência contra as mulheres não é justificável! A violência doméstica não é justificável. A violência em qualquer formato não pode ser naturalizada. Esse texto é um convite para que se abram espaços, para que se possa falar sobre o que os homens sentem, e que, provavelmente, eles terão dificuldades em expressar, em nominar.

Pergunte aos homens que você conhece o que os deixa tristes, ansiosos, com medo, e observe suas respostas, sensações, expressões…
Na minha vivência dentro do consultório é muito comum que meus clientes tenham muita dificuldade em expressar o que se passa dentro da pele. Parte dessa dificuldade se dá pelo fato de não terem aprendido a fazer isso, e por não terem, ao logo de suas histórias de vida, relações e espaços que considerassem “seguros” para falar de suas emoções sem julgamento, sem punição. É inevitável que isso traga prejuízos.
Naturalmente, essa característica está presente em muitas clientes também. A diferença, basicamente, é que suas redes de apoio tendem a ser mais acolhedoras ao lidar com situações de sofrimento. Claro, nem sempre acontece assim. Algumas vezes o problema está justamente nas “redes de apoio” que não conseguem dar esse suporte.
Frequentemente ensino as pessoas que compartilham suas vidas comigo que elas podem e precisam sentir a vida, na vida! Esse processo não é simples. É preciso desconstruir muitos estereótipos que são reforçados socialmente e que apenas aumentam a intensidade do sofrimento.
Quando esses caras entendem que podem sentir as emoções surge uma nova questão: o que fazer com isso? Não penso que haja uma resposta absoluta, pois são processos singulares de cada pessoa. O que penso é que é preciso fazer algo! É preciso sentir para viver.

Como você se sente quando vê “seu homem” (filho, amigo, pai, marido, namorado, etc…) em sofrimento? Quais pensamentos surgem? O que você faz quando isso acontece?
O que se pode fazer para favorecer com que esses processos sejam devidamente acolhidos? Precisamos construir espaços para lidar cuidadosamente com a vulnerabilidade na qual a vida está posta. Além da terapia, em nossas rodas de conversa, um olhar atento e uma palavra acolhedora podem ser o início para novas abordagens.
Olhar para si de forma gentil pode ser um jeito corajoso de viver a vulnerabilidade. E talvez isso amplie nossas possibilidades de cuidar melhor das nossas emoções e da vida.
Se esse texto fez sentido para você compartilhe com outras pessoas! E para seguir nosso papo, me chama no @jonasfilho.psi!
Com carinho, Jonas Filho.





